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Belém para brasileiro: açaí, lasanha vegana, carimbó, muiraquitã e outras notáveis diferenças

Após uma longa viagem de avião chegamos em Belém num calorento inicio de madrugada em meados de novembro. Cidade próxima a linha do Equador e de clima tropical úmido, o calor é constante com sol na cabeça boa parte do tempo. Nos hospedamos em um hotel ruim na primeira noite, de frente para a praça da republica, e a partir do segundo dia fomos para um bom hotel, o que sem duvida faz a impressão que se tem da cidade melhorar rapidamente. É preciso tomar cuidado com alguns hotéis em Belém, principalmente os mais baratos, deixam o clima pesado, o que me obrigou a dormir com a luz do abajur acesa durante toda a noite.

Chegada em Belem

História

Belém foi fundada no século XVI pelos portugueses porem sua população atualmente é em grande parte descendente de índios, ainda hoje essa influencia é forte e percebida em muitos aspectos. Dizem, por aqui, que Belém é a entrada da Amazônia, na rodoviária da cidade é possível comprar passagem de barco para Manaus, são cinco dias descendo o rio, Santarem, Macapá e diversas cidades. Os nativos levam suas redes de dormir para estas viagens de barco, esse é um costume e é comum ouvir historias de famílias que vivem na cidade porem não dormem em camas, mas somente em redes.

Lasanha Vegana e curiosidades

Marcamos um encontro com um casal de amigos que nos preparou uma ótima lasanha vegana paraense. Moravam a um ano e meio na cidade e já estavam em grande parte adaptados a cultura do local, porem eles reclamavam do calor. Foi quando pensei no calor que faz em Cuiabá, Brasília, Ribeirão Preto. Em Belém o calor não é seco, não racha sua pele, é úmido, é diferente.

As docas da cidade, com seus restaurantes e bares são um ponto de visita e encontro para os turistas, foi todo reformado com o objetivo de ser o ponto mais atrativo da cidade, é limpo, bonito e de noite costuma lotar de pessoas passeando de um lado para o outro ou frequentando algum bar ou restaurante. De dia seus restaurantes abrem para almoço e o local é ponto de partida de barcos de turismo que navegam para diversas ilhas e canais da baía de Belém. Durante a noite conhecemos o Mormasso, um bar/casa de show que fica a beira do rio e tem sua entrada por entre ruazinhas sujas e escuras proximas ao Mangal das Garças, foi um passeio que surpreendeu.

Andando pela cidade observei que as bancas de jornais/revista vendem inúmeras apostilas de concurso publico, para diversos concursos, há uma seção inteira da banca para estas apostilas, e este fenômeno acontece em todas as bancas de revista pelas quais passei inclusive na banca de revista do shopping da cidade.

Açaí

O açaí ocupa um espaço distinto no dia a dia de Belém e é vendido de muitas formas e em muitos lugares. Não é exagerado dizer que andando pela região central da cidade é possível encontrar em qualquer quadra um ponto onde se venda açaí. Aqui o açaí é moído na hora, através de uma maquina especial e seu caldo pastoso é vendido em formatos grosso, médio, fino, etc, podendo ser adicionado farinha de tapioca, farinha d’agua, peixes, etc. Não existe servi-lo gelado, não existe servi-lo com granola. O gosto do açaí não é nem doce nem salgado e creio haver muitas utilidades para o açaí nas mãos de um chef de cozinha criativo. Aprendi aqui em Belém a não adicionar açúcar branco pois seu sabor se perde.

Mercado Central

Nas cidades brasileiras, principalmente capitais, é comum existir o Mercado Central onde é possível encontrar frutas, legumes, hortaliças e produtos naturais da região, aqui em Belém este mercadão é conhecido com o nome de Vêr-o-Peso. Aproveitei para comprar dois quilos de castanha do pára, um quilo de farinha de tapioca e farinha d’agua e alguns quilos de poupas de frutas de tapereba, bacuri, cupuaçu e açai, porem deixei para trás coisas duvidosas como óleo de carrapato e cortes de carnes de diversos bichos e peixes.

Livrarias

Em uma das livrarias que passei encontrei um livro do escritor Lobsang Rampa, chamado “A Terceira Visão”, uma nova edição, nesta mesma livraria de mesmo nome entrei em dois outros lugares da cidade, no shopping e nas docas. Os muitos livros são dispostos como em uma biblioteca, colados um ao outros, inclusive os livros em exposição na entrada da loja. São muitos livros, uma copia de cada, juntos e sem que se veja a capa, fiquei perdido e não pude identificar livros que são publicados apenas por editoras da região e não são possíveis de se encontrar em outros lugares do pais. Em uma livraria na sala de espera do aeroporto pude enfim encontrar diversos livros que falavam de temas do Pará e editados por pequenas editoras da região, falavam sobre a Amazônia, a Revolta da Cabanagem, a Fundação de Belém, sobre o Açaí, a Culinária Marajoara, o Carimbó, etc.

Comunicação

Dois jornais em Belém, eu pude folhear, “Diário do Pará” e o “O Liberal”. Ambos tem a mania de colocar cenas de violência na capa para chamar a atencao, uma pena, poderiam fazer melhor. Digo isso porque, em geral, não gosto das manchetes de capas de jornal, e no entanto o de sempre: propagandas, classificados, noticias inusitadas, creio que diverte um turista descompromissado em uma cidade que não se conhece quase nada. Não tive a oportunidade de investigar os canais de TV locais, que são outra boa oportunidade para leitura dos costumes e manias locais.

Guaraná da Amazonia

É comum encontrarmos nas praças da cidade pequenos carrinhos de ambulantes vendendo uma bebida chamada “Guaraná da Amazonia”, feito na hora com um liquidificador ao custo de dois reais, num copo de 500 ml. Contém: xarope de guaraná, castanha de caju, amendoim, pó de guaraná, leite em pó, leite condensado, ovo de codorna, catuaba liquida, catuaba em pó, marapuama e ginseng. Fui iniciado no “Guaraná da Amazônia” por nosso casal de amigos e quase viciei, queria beber todos os dias.

Carimbó

Nas docas fizemos um passeio pelo rio que circundava a orla de Belém, este passeio não pode ser feito de carro, de bicicleta ou a pe, pois a orla é toda ocupada e apenas em poucos pontos tem-se acesso a ela. Isto é uma desvantagem para a cidade pois grande parte da beleza é sua orla. Neste passeio de barco conhecemos mais sobre alguns aspectos da população e sua historia, e de costumes regionais como a dança do carimbó. Carimbó é “pau oco que produz som” de acordo com o guia do barco.

Museu

No Espaço “São Jose Liberto” visitamos o Museu de Gemas do Pará onde no seu jardim central há algumas gemas do tamanho de uma pessoa. Não lembro-me do nome dessas gemas mas lembro-me que uma cidade em Goiás, chamada Cristalina, também tem muitas delas. Algumas crenças afirmam que cristas como estes emanam uma grande quantidade de energia alem de, também, a transmutarem para tipos diferentes de energia. Há um livro muito antigo que folheei, brasileiro, que contava a historia de um joalheiro de São Lourenço, MG e seu vasto conhecimento e experiência com a transformacão e os poderes de gemas como estas que estão expostas no Museu de Gemas do Pará.

Muiraquitã

Existe, entre os indígenas de algumas tribos em especifico, a lenda do Muiraquitã, um talismã que daria proteção e felicidade a amazona que o recebesse. No Museu do Forte há alguns muiraquitãs verdadeiros expostos e no Museu de Gemas há diversos brincos e colares em formatos de muiraquitãs, talvez um tipo de presente feminino somente encontrado por aqui.

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postado em 01:31:39 AM as 12/06/2007 por Admin - Área: Ensaios
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